TPM e a vontade de comer doce: existe mesmo essa relação?
- Esther Reis
- 15 de jul.
- 3 min de leitura
Há certos comportamentos humanos generalizados que são conhecidos, mas não exatamente entendidos e a correlação entre TPM e a vontade de comer doce é um dos mais famosos. Mas, por trás desse acontecimento extremamente comum entre as mulheres, será que existe mesmo um traçado científico que o comprove? Na área da saúde sempre existem diversas variáveis que devem ser levadas em conta, principalmente quando a pauta diz respeito às alterações hormonais do corpo feminino, que, além de inúmeras, são complexas e se apresentam em um ciclo de acontecimentos bem definidos. Nesse sentido, é importante encarar esse texto como um breve recorte simplificado da magnitude - e beleza - que envolve o ciclo menstrual feminino. Dito isso, vamos entender a ciência por trás dessa vontade inexplicável - ou explicável - de comer doce durante a TPM?
A primeira coisa a ser compreendida é que tudo no nosso corpo acontece devido a sinalizações neurais e, no caso da pauta de hoje, sinalizações neuro-hormonais. Durante todo o ciclo menstrual, há uma alteração natural de alguns hormônios femininos que geram diversos sintomas, entre eles, a famosa TPM (Síndrome da Tensão Pré-Menstrual) - que ocorre após a fase lútea-ovulação - e antes da fase de descamação da parede do útero, popularmente conhecida como menstruação. Essa pequena sigla representa grandes alterações corporais femininas, por se caracterizar como o conjunto de sintomas físicos e comportamentais, que se apresenta de maneira diferente em cada indivíduo.
Nesse sentido, durante a TPM, o corpo da mulher fica mais sensibilizado a essas mudanças e a resposta cerebral é modificada, ficando mais sensível aos efeitos de alguns neurotransmissores, como a serotonina. Aqui está o ponto central: a serotonina. Ela ajuda a regular o humor, a sensação de bem-estar e a qualidade do nosso descanso, ou seja, muito importante, não é? Principalmente em momentos de oscilação hormonal como o citado. Mas, nesse cenário, acredita-se que ocorra uma baixa dos níveis desse neurotransmissor, deixando a pessoa mais suscetível a sentimentos como tristeza, frustração e irritabilidade, por exemplo. Porém, o que isso tem a ver com a TPM e a vontade de consumir doce? Tudo!
Como qualquer coisa do nosso corpo, a produção de serotonina precisa de um insumo: o triptofano, um aminoácido que é adquirido através da alimentação e se consolida como a principal matéria prima para a formação desse neurotransmissor. Ele está presente em alimentos ricos em carboidratos, principalmente. E quem é um dos carboidratos mais conhecidos? O açúcar!
Assim, é possível traçar uma correlação entre o consumo de açúcar e uma busca momentânea de alívio dos sintomas da baixa de serotonina durante a TPM. Para além disso, é válido entender que o nosso cérebro tem um sistema de recompensa, com um circuito de prazer, ativado - entre outros compostos- por açúcar. Durante a TPM esse sistema pode ficar mais sensível e transformar os alimentos palatáveis mais atraentes, justificando, assim, a vontade crescente de consumir doces durante esse período.
Com isso, embora a ciência ainda busque compreender todos os mecanismos envolvidos na TPM, uma conclusão já parece clara: a vontade de comer doces nesse período não é apenas uma questão de hábito ou falta de autocontrole. Ela resulta de uma combinação de alterações hormonais, neuroquímicas e comportamentais que influenciam o apetite e a busca por alimentos mais palatáveis, que podem ser usados para aumentar a produção de serotonina. Ainda não há evidências suficientes para afirmar que alimentos doces são um tratamento para a TPM, mas entender por que esse desejo surge ajuda a substituir mitos por informação de qualidade.
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