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Muito além da balança: como a obesidade aumenta o risco de outras doenças?

Esther Reis
5 de ago.
2 min de leitura

A obesidade é vista como um problema de saúde mundial nos dias atuais e por isso, o aumento da curva de pessoas acometidas por essa comorbidade é um tema amplamente debatido na área da saúde. O aumento do número de pessoas obesas se relaciona diretamente com a maior prevalência de doenças crônicas na população, como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial e outros problemas cardiovasculares agudos, como o infarto. Além disso, há uma maior chance de desenvolvimento de câncer. Mas, afinal, por que o excesso de gordura corporal aumenta tanto o risco dessas doenças? É isso que vamos entender ao longo desta coluna!

Primeiramente, é preciso compreender que o quadro de obesidade não se limita somente ao acúmulo de gordura no organismo. O tecido adiposo da pessoa obesa funciona de maneira diferente: ele age de forma endócrina, liberando substâncias inflamatórias, hormônios e gorduras em excesso, criando um estado de inflamação crônica de baixo grau. Esse processo afeta todos os órgãos, o que justifica o desenvolvimento de doenças sistêmicas ao longo do tempo em indivíduos obesos. Vamos entender, rapidamente, como a inflamação da obesidade afeta algumas das principais funções corporais?

A diabetes mellitus tipo 2 é a principal doença associada ao excesso de peso, porque o aumento da gordura visceral, aquela que fica no abdome e forma a famosa “barriguinha de chopp” ou então aquela “pochete”, faz com que as células do organismo respondam menos à insulina, gerando uma resistência com o tempo. Assim, a diabetes se desenvolve, uma vez que o pâncreas não consegue acompanhar a demanda e, consequentemente, a glicemia permanece alta.

Além disso, a presença aumentada de colesterol no sangue gera comorbidades cardiovasculares, tendo em vista que essa gordura livre se deposita na parede dos vasos sanguíneos e, gradualmente, sofre um processo de inflamação e oxidação, formando uma placa de aterosclerose. Assim, a pressão arterial fica elevada e o risco de infarto e de AVC aumentam.

Até agora, falamos das doenças crônicas, mas a obesidade também pode favorecer o desenvolvimento de alguns tipos de câncer. Parece que uma coisa não tem nada a ver com a outra, não é? Na verdade, essa relação existe — e entender o motivo é mais simples do que parece. A inflamação constante vai atuar nesse ponto também, porque dentre os hormônios que as células adiposas liberam, está o IGF-1, que, dentre outras ações, promove o crescimento celular. Então, com mais sinais para crescer, algumas células podem ficar defeituosas e começar o processo de multiplicação patológica característica do câncer.

No fim das contas, fica claro que a obesidade vai muito além da balança. Compreender os mecanismos por trás desse processo ajuda a enxergar que seus impactos não se resumem ao excesso de peso, mas envolvem uma inflamação crônica, alterações hormonais e metabólicas e um tecido adiposo que passa a atuar de forma diferente, favorecendo o desenvolvimento de diversas outras doenças. Entender essa complexidade é essencial para olhar a obesidade com mais informação e menos simplificações, reconhecendo-a como um importante desafio para a saúde.

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