Copa do Mundo: FIFA fecha o olho para a escolha de países-sede
- Vitor Romero

- 9 de jul.
- 3 min de leitura
A FIFA, Federação Internacional de Futebol Associado, é a grande responsável por realizar um fenômeno do planeta: a Copa do Mundo. Um evento que só acontece de quatro em quatro anos, reunindo as melhores seleções de futebol para um confronto transmitido para todo o planeta.
Em toda Copa do Mundo, um ou mais países são escolhidos para sediar o evento. O anfitrião, além da visibilidade, aumento do turismo e movimentação da economia, ganha um privilégio claro: ser automaticamente classificado para a competição.
Em 2026, a Copa do Mundo será realizada em um formato inédito, em que três países vão sediar a Copa: México, Estados Unidos e Canadá, e a grande maioria dos jogos acontecerão nos Estados Unidos.
Porém, o que chama atenção para a escolha não é a histórica decisão, mas sim o momento vivido pela maior nação do mundo. Envolvidos em diversos problemas geopolíticos, os Estados Unidos não eram a escolha ideal para sediar um evento mundial dessa magnitude. Com uma política de imigração muito rígida, controle de vistos e proibição de delegações, o país está transformando a união mundial pregada pelo torneio em um verdadeiro espetáculo de força e repressão. Além disso, a escolha da nação contraria diretamente a imagem da FIFA.
A Rússia, logo após iniciar o confronto com a Ucrânia, foi banida da FIFA, o que impede o país de disputar Copas do Mundo e Amistosos. Porém, a hipocrisia acontece justamente pelos Estados Unidos terem iniciado um confronto com o Irã no mesmo ano que disputam, e acima de tudo, sediam a Copa.
Isso mostra como a FIFA não aplica suas próprias regras para todas as nações de forma justa e imparcial. Porém, a escolha polêmica de países-sede não acontece somente neste ano. Em 2018, quando a Rússia sediou o evento, diversos problemas foram relatados, dentre eles a perseguição da população LGBT e o abatimento de cachorros de rua para tornar o país mais atrativo aos olhos do mundo.
Essas omissões da FIFA também já foram vistas desde o começo das disputas dos mundiais. Em 1938, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, em que a Europa passava por um momento de tensão, a FIFA escolheu a França como o país-sede. A escolha polêmica ganha ainda mais repercussão pelo fato de a confederação ter transferido a Copa da América do Sul para a Europa, mesmo com tantos agravantes.
A Copa do Mundo de 2022 também foi um grande divisor de águas para escancarar as escolhas polêmicas da FIFA. Sediada no Catar, a competição foi marcada por diversos problemas antes mesmo do início do mundial. Por ser um país que não tinha uma estrutura prévia para receber o torneio, o Catar precisou construir diversos estádios espalhados pelo território, o que gerou denúncias de mão de obra barata, condições insalubres de trabalho e até mesmo morte de trabalhadores.
Analisando o cenário de 2026, a escolha da FIFA fica ainda mais problemática. O México, um país que já sediou sozinho duas Copas do Mundo, tinha a capacidade de sediar sozinho o mundial, sem a necessidade de participação dos Estados Unidos. Mesmo não sendo um país perfeito, não está envolvido em nenhuma guerra, seja direta ou diplomática com outros países, diferentemente dos EUA.
Vale destacar também que os Estados Unidos, sob a gestão do presidente Donald Trump, não apenas estão em guerra direta com o Irã, mas também realizam diversas ofensivas diplomáticas contra diversos países, inclusive o Brasil. Recentemente, a nação aplicou taxas sobre produtos brasileiros, e o presidente norte-americano deu uma declaração criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Portanto, é possível destacar a omissão da FIFA para escolher os países-sede, além de escolher quando aplica seus próprios critérios em razões de interesses próprios, escolhendo países problemáticos, envolvidos em guerras ou perseguições a certos tipos de público, além de ofensivas diplomáticas. A FIFA, por fim, privilegia grandes nações ao invés de ser imparcial nas escolhas das sedes da Copa do Mundo. O mundial não deve ser interpretado como algo político, mas como uma competição esportiva que tem como principal caráter a união. Utilizando um ditado popular, Quem cala, consente.
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