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O Medo do Pix: por que o sistema de pagamento brasileiro incomoda tanto a administração de Donald Trump?

  • Foto do escritor: Vitor Romero
    Vitor Romero
  • 20 de jul.
  • 3 min de leitura

Já não é a primeira vez que o Pix vira assunto mundial. Após sua criação pelo Banco Central do Brasil e seu sucesso com a população, o sistema de pagamento virou um modelo para o restante do mundo. Grandes nações passaram a enxergar o Pix como uma alternativa que oferece compensações de pagamentos mais rápidas, menos taxas para a população e mais praticidade. O Pix é um meio de pagamento instantâneo do Brasil, com gratuidade, em regra, para pessoas físicas e com um custo muito baixo para pessoas jurídicas.

Porém, o Pix voltou ao debate mundial recentemente. Os Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, aplicaram tarifas comerciais ao Brasil por uma série de fatores, com destaque para o Pix. Segundo o governo estadunidense, o sistema brasileiro dificulta a atuação das empresas norte-americanas e estabelece uma concorrência desleal.

Em um país continental como o Brasil, ter empresas norte-americanas perdendo espaço é realmente negativo para os lucros. Porém, a administração Trump não parece se importar nem reconhecer nada além disso. O Pix não é reconhecido, por parte dos Estados Unidos, como um meio de pagamento que beneficia a vida de milhares de brasileiros. Ele é reconhecido como uma prática de comércio desleal porque “prejudica” suas grandes empresas.

E isso é um problema. Enquanto a União Europeia amplia seus sistemas de pagamento instantâneo e usa o Pix como exemplo de algo que deu certo, os Estados Unidos tentam, por meio da imposição de tarifas, restaurar a vantagem para suas empresas. Em vez de criarem soluções alternativas, Donald Trump e sua equipe consideram a imposição de tarifas o caminho mais viável.

Essa medida é grave e tenta prejudicar algo de extrema importância para a população brasileira. E o Pix é dos brasileiros. É algo de que nosso país deve se orgulhar. Criar um sistema que facilita a vida cotidiana é algo em que se inspirar, não atacar.

O incômodo com o Pix chega com a perda de força de gigantes norte-americanos. Quando fazemos uma compra utilizando a bandeira Visa ou Mastercard, existem taxas envolvidas nessas operações. Parte dessas tarifas é destinada às empresas estadunidenses, que dominam o mercado internacional de pagamentos. No momento em que uma ferramenta como o Pix fica disponível, parte dessas receitas começa a desaparecer.

E o cerne do problema encontra-se justamente aqui: quando o sucesso do Pix transforma o Brasil em um espelho para o mundo.

O Brasil é um país importante na geopolítica mundial. Maior economia da América Latina, o Brasil possui forte presença regional, além de uma longa tradição diplomática. Quando uma nação que está em constante destaque mundial consegue um feito como o Pix, ela se torna modelo.

E isso é algo que preocupa as grandes empresas e a administração de Donald Trump. Aceitar que um país latino-americano criou uma infraestrutura complexa, eficiente e capaz de reduzir a dependência de empresas norte-americanas é algo que incomoda, principalmente porque, se o restante do mundo decidir implementar funcionalidades parecidas, essas empresas tendem a perder sua influência e domínio.

Portanto, o Pix deve ser tratado como um patrimônio brasileiro. Deve gerar orgulho nos brasileiros, além de ser mantido, independentemente da tentativa de interferência estrangeira. O Brasil é um país soberano, e a independência econômica deve ser colocada no centro de suas prioridades, objetivo para o qual o Pix contribui (e muito). A praticidade no dia a dia e a gratuidade, em regra, para pessoas físicas não devem ser ameaçadas, mas replicadas.

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