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Minha Mãe é uma Peça: por que a trilogia de filmes fez tanto sucesso nacionalmente?

Foto do escritor: Vitor Romero
Vitor Romero
28 de ago.
4 min de leitura

Minha Mãe é uma Peça é um dos maiores fenômenos culturais brasileiros. Com peças de teatro e três filmes para o cinema, a produção fez milhares de fãs em território nacional, se tornando uma das franquias mais lucrativas da história do Brasil.

O primeiro filme, lançado em 2013, levou aproximadamente 4,6 milhões de pessoas para as salas de cinema e teve uma bilheteria superior a 49 milhões de reais.

Já o segundo filme, com lançamento em 2016, arrecadou cerca de 124 milhões de reais, levando mais de 9 milhões de pessoas às salas de cinema.

Por fim, o último filme da trilogia, lançado em 2019, arrecadou mais de 140 milhões de reais, chegando ao topo do cinema brasileiro.

Somente os filmes são suficientes para provar a magnitude de Minha Mãe é uma Peça no Brasil. Juntos, os três filmes ultrapassam 300 milhões de reais em bilheteria, o que já é maior do que muitos filmes produzidos em Hollywood.

Mas por que essa produção se tornou um fenômeno tão grande no país? A resposta é mais simples do que parece.

O primeiro motivo é a simplicidade do filme e de como ele aborda os temas do cotidiano da população brasileira. Dona Hermínia, protagonista do longa e eternizada por Paulo Gustavo, ganhou apreço nacional por seu humor natural e por sua capacidade de transformar dilemas da população “comum” em algo palpável na tela do cinema, aproximando-se do espectador.

Com cenas simples, que acontecem em supermercados, em reuniões de condomínio e em casa, com dilemas com os filhos, a personagem inspirada em Dona Déa, mãe do Paulo Gustavo, ganha o público brasileiro a cada segundo em cena.

A partir do momento em que Dona Hermínia entra na casa do brasileiro, ela não sai mais.

A capacidade de adicionar o drama em um filme de comédia, sem perder a graça, é outro ponto que ajuda a transformar o filme em um fenômeno. As cenas com tia Zélia, ao longo do primeiro filme, em que Dona Hermínia revisita momentos de toda a sua vida nas conversas com a tia, expõem a vulnerabilidade de várias ocasiões da sua trajetória, como com seus filhos e seu ex-marido, e, ao mesmo tempo, mantêm a comédia que tornou o filme único.

No segundo filme, as cenas com tia Zélia, agora com Alzheimer, passam a tristeza de uma sobrinha que precisa ver sua tia nessa situação, e novamente, sem abrir mão da essência da comédia. O momento mais emocionante de todos os filmes acontece no falecimento de tia Zélia. Quando Dona Hermínia vai despejar as cinzas da tia na ponte Rio-Niterói, cria uma das cenas mais bonitas que eu já vi em uma produção de comédia.

Durante o terceiro filme, a gravidez de Marcelina e o casamento de Juliano são pontos altos que mantêm a essência de drama com comédia da produção. Quando é deixada de lado na organização do casamento do seu filho, a tristeza fica evidente, mas a graça da personagem não desaparece. Essas duas emoções, muitas vezes tão distintas na vida e em produções, conseguem ficar muito bem juntas em Minha Mãe é uma Peça.

Outro fator determinante para o sucesso do filme é o Paulo Gustavo. Sua atuação autêntica, sua comédia verdadeira e a inspiração da personagem em sua própria mãe dão um peso muito grande e positivo na produção. Como um dos maiores humoristas da história do país, Paulo Gustavo eternizou a personagem de uma forma que outra pessoa dificilmente conseguiria fazer.

Dona Hermínia não era simplesmente uma personagem. Ela dominava o palco, dominava as câmeras. No momento em que ela entrava em cena, todos os outros viravam coadjuvantes dentro do mundo. Ela era o sol de Minha Mãe é uma Peça.

E para mim, é uma coisa que poucos atores ou humoristas conseguem fazer: experimentar outros sentimentos e ainda permanecer engraçados naturalmente. No meu pensamento, é muito mais fácil um ator de comédia fazer drama do que um ator de drama fazer comédia. 

E aqui entra o fator que eu considero mais determinante para o sucesso dessa produção: os personagens. Todos são próximos da realidade, aproximando-se do público de uma forma que poucos filmes fazem.

Uma mãe que ama seus filhos mais do que tudo e luta contra o mundo para dar uma criação digna para eles. Não é perfeita, e está longe disso. E é exatamente o que a aproxima de tantas mães por aí. Dão tudo de si pelos filhos, e mesmo assim, erram no processo.

Um ex-marido que casou novamente, com uma mulher mais jovem e insuportável na convivência com a protagonista. O distanciamento do pai na criação dos filhos e a reorganização familiar depois de um divórcio.

Um filho homossexual, acolhido em casa, mesmo com o medo da mãe. Ela deixa de lado todas as suas inseguranças e seus medos para ajudar seu filho. Mesmo com medo do preconceito e em alguns momentos enxerida demais, Dona Hermínia segue junto com seu filho, que cresce a cada filme. Uma prova do amor de tantas mães do Brasil, só que nas telas e no palco.

Uma filha que demora a se encontrar, e que mesmo assim, possui o apoio e a ajuda da mãe, por mais tortos que sejam.

É uma família que está longe de ser perfeita. Assim como a família que cada um de nós possui. Não existe uma família igual àquelas de filme de comédia romântica americana. É impossível.

Todo mundo possui dificuldades no âmbito familiar. Algumas são mais complexas do que outras. Mas uma coisa é fato: nenhuma família é perfeita.

E Minha Mãe é uma Peça demonstra tudo isso... com comédia.

E de uma forma emocional.

Minha Mãe é uma Peça merece cada parte do sucesso que alcançou. O filme fez o que poucos conseguiram fazer: transformar o cotidiano de uma família em uma produção abraçada nacionalmente.

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